As baixas temperaturas do inverno contribuíram para a formação da florada das macieiras, marcando o início da nova safra.
Segundo Moisés Lopes de Albuquerque, diretor executivo da ABPM (Associação Brasileira dos Produtores de Maçã), “As macieiras necessitam de um período de dormência antes de retomar seu desenvolvimento. Neste ano, o acúmulo de horas de frio nas principais regiões produtoras ultrapassou a média histórica, resultando em uma quebra de dormência eficaz, com brotações uniformes e saudáveis, proporcionando um grande potencial de florada”.
A polinização é o próximo passo crucial, pois determina a quantidade e a qualidade dos frutos. Para isso, a presença de abelhas e outros polinizadores é vital para a fecundação e o desenvolvimento dos frutos.
O fenômeno El Niño trouxe um excesso de chuvas para o Sul do Brasil, que abriga as principais áreas de produção de maçã, gerando preocupações. “Períodos prolongados de chuvas intensas comprometem a polinização, pois reduzem significativamente a atividade de voo das abelhas nos pomares”, afirma Moisés.
Ele relata que muitos agricultores optaram por alugar colmeias para assegurar o sucesso dessa etapa. “O clima alterna entre dias chuvosos e momentos de tempo bom. Assim, para maximizar esses períodos favoráveis, os produtores aumentaram a quantidade de colmeias em seus pomares”.
Os efeitos do aluguel de abelhas e da polinização serão avaliados nas próximas semanas, quando será verificado o índice de fixação dos frutos nas plantas.
“Ainda temos etapas importantes até a colheita das variedades Gala e Fuji, prevista para o início de 2027. Contudo, estamos otimistas, com expectativas de uma safra equilibrada em volume e de alta qualidade”, completa Albuquerque.
Safra recorde no Brasil em 2025/2026
O otimismo é impulsionado pelo recorde da última safra, com o Brasil colhendo 1,6 milhão de toneladas de maçãs, a maior produção já registrada.
Esse volume é quase o dobro do que foi colhido nas duas últimas temporadas, que totalizaram cerca de 850 mil toneladas. Além disso, supera o recorde anterior de 2017, que foi de 1,3 milhão de toneladas.
Santa Catarina liderou a produção com aproximadamente 830 mil toneladas, seguida pelo Rio Grande do Sul com cerca de 710 mil toneladas. O Paraná contribuiu com cerca de 50 mil toneladas, enquanto São Paulo e Minas Gerais têm uma produção menor.
Exportações em crescimento, mas abaixo da meta
As exportações de maçã também aumentaram, atingindo 48,6 mil toneladas em 2026, em comparação a 13 mil toneladas em 2025, totalizando US$ 49,6 milhões, segundo dados da ABPM.
A fruta brasileira foi enviada para mais de 25 países, com a Índia como principal destino, recebendo 18,1 mil toneladas, seguida pela Arábia Saudita com 10,1 mil toneladas. Rússia, Portugal e Irlanda também estão entre os principais importadores.
Entretanto, a associação havia projetado exportar 100 mil toneladas da super safra, mas o volume ficou abaixo do esperado devido a desafios comerciais e logísticos provocados pela Guerra no Oriente Médio. “O conflito limitou as vendas para aquela região, provocou uma superoferta em outros mercados e complicou a logística para praticamente todos os destinos”, explica Albuquerque.
A supersafra de maçãs aumentou a disponibilidade no mercado interno, contribuindo para a redução dos preços ao consumidor. “Atualmente, a demanda por maçãs frescas no Brasil é de aproximadamente 1 milhão de toneladas, mas neste ano, o consumo deve ser maior, impulsionado por preços mais competitivos e pela elevada oferta”, ressalta o diretor executivo.
Nesse contexto, a abertura de novos mercados estratégicos, como México e Malásia, é considerada essencial para diversificar os destinos da maçã brasileira e ajudar a equilibrar o mercado nacional.
“As safras entre 2023 e 2025 foram atípicas, com produções baixas devido a fatores climáticos, especialmente as fortes chuvas da segunda metade de 2023 e em maio de 2024. Isso elevou a necessidade de importação para complementar a oferta nacional. Naqueles anos, cerca de dois terços das maçãs consumidas no Brasil eram de origem nacional. Em 2026, devemos voltar a níveis superiores a 85%”, conclui o diretor da ABPM.





